terça-feira, 12 de outubro de 2010

Livrai-nos de todos esses males, Pai

Apesar da música a seguir não estar relacionada ao cotidiano da EaD, as questões relatadas nela perpassam o nosso fazer, pois estamos atuando num curso de formação de professores e essa realidade é bem comum nas sociedade brasileira há muito tempo...

Estudo Errado (Gabriel O Pensador)

Eu tô aqui Pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando espiando colando as prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu "vá pra aula!" e "estude!"
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada
Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)
Não. De mulher pelada
A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação
- Ué não te ensinaram?
- Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil
Em vão, pouco interessantes, eu fico pu..
Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio
(Vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)

Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda num sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (...)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
- O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (...)
Vamos fugir dessa jaula!
"Hoje eu tô feliz" (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh... Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)

Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância a exploração e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim cês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...

http://www.vagalume.com.br/gabriel-pensador/estudo-errado.html#ixzz12BSYknzw

sábado, 2 de outubro de 2010

Ano novo, pólo novo, turma nova

A minha vida de tutora me mostrou ainda ser uma incógnita: de um lado, eu encantada com a EaD, de outro a impossibilidade de saber quando ou que turma eu poderia pegar. Isso me fez procurar um emprego fixo, de carteira assinada, onde eu recebesse salário mensalmente, pois tenho uma filha pra criar.

Como professora do ensino fundamental de uma grande escola de Fortaleza, não podia me dar ao luxo de passar dois dias em outra cidade e pedi ao coordenador da disciplina que me mandasse pra um pólo bem próximo da capital, onde eu pudesse ir e vir no mesmo dia.

Acabei indo parar em São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana, e muito do que aconteceu comigo em Quixeramobim se repetiu: fui muito bem recebida pela tutora presencial e pelos alunos. Acabei fazendo amizade com muitos deles, que me contavam, animados, suas conquistas.

Era a primeira disciplina de literatura deles (estavam no terceiro semestre) e a minha primeira vez no pólo, tentei levá-los uma literatura importante historica e artisticamente. É certo que eles já tinham visto a "Teoria da Literatura", mas era o primeiro contato deles com as obras e "escolas" literárias.

A experiência foi muito boa e acredito que pôde proporcioná-los uma bela introdução à Literatura Portuguesa nas palavras do coordenador da disciplina, presentes em forma de carta no SOLAR.

Eis um dos vídeos que eu passei pra eles:

http://www.youtube.com/watch?v=Q_1EDSpz-fE

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ações necessárias do tutor à distância

"Acredita em anjo? Pois é, sou o seu..."

As experiências mais consistentes que tive até o momento como tutora foram as disciplinas de Literatura Portuguesa no curso de Letras da UFC. Isso limita e direciona o meu discurso, pois falo apenas daquilo que sei. Pode ser que em outros cursos e outras instituições haja outras atribuições do tutor, mas explicitarei apenas aquelas que vivenciei.

Começarei falando da parte prática: o tutor deve, inicialmente, se inteirar da disciplina: o conteúdo, as datas das atividades, formas de avaliação, número de fóruns, portfólios e chats (bem como o assunto dos mesmos) e até mesmo dos alunos, se possível (quantidade, nome, etc.).

Em seguida, devemos nos informar também acerca do pólo para o qual iremos, condições de estrada, transportes, locais de hospedagem e de realização dos encontros presenciais, clima, enfim, tudo aquilo que é relativo aos preparativos da viagem. É muito importante ressaltar a importância de fazer um contato prévio com o tutor presencial, pois é fundamental que atuemos em conjunto. Cabe ao tutor presencial, disponibilizar material didático como datashow, computador, retroprojetor, etc. e cabe ao tutor à distância solicitá-lo com, pelo menos, sete dias de antecedência.

Como qualquer professor, devemos preparar nossos encontros presenciais, com material diversificado. No primeiro contato com os alunos, gosto de levar informações gerais sobre a disciplina (ementa, objetivos, conteúdos, datas importantes, temas dos portfólios, fóruns e chats, critérios de avaliação, etc.), além de definir as datas e horários dos chats, bem como divisão de grupos (caso haja algum portfólio em equipe). Também gosto de levar algum video motivacional, ou música que esteja relacionada com a disciplina ou a EaD. Nesse momento, aproveito para me colocar na posição de amiga dos cursistas, mas peço a colaboração deles em relação a prazos para entregas dos trabalhos.

Durante a disciplina, cada um a seu modo, os tutores devem tentar minimizar a distância física e aumentar a proximidade, virtualmente falando, ou seja, não deixar que os alunos se sintam sozinhos. Eu, particularmente, costumo mandar mensagens aos alunos no ínicio de cada semana, com todas as informações daquele período, tais como: tema da aula, fórum (com data do início e do término), chat (com dia e hora), portfólio, etc. No fim das mensagens, sempre me coloco à disposição deles, para eventuais esclarecimentos. Um ou dois dias antes do término de uma atividades, mando mensagem para aqueles que ainda não participaram, incentivando-os a fazê-lo.

A linguagem utilizada pelo tutor é um ponto que deve ser visto com cuidado, pois não pode ser muito fria, distante do aluno, nem rígida, dura demais. Em contrapartida, não devemos ter "intimidades", mantendo uma postura séria, que não dê margens a mal entendidos. É importante usar palavras amenas, como "atenciosamente, "cordialmente", "um abraço a todos" , ou algo do tipo. As palavras também são importante instrumento na motivação dos alunos, podendo também, se usadas incorretamente, desencorajá-los.

Nos fóruns e chats, nossa missão é mediar as interações dos alunos, estimulando aqueles que ainda não se manifestaram a dar sua opinião, incentivando o diálogo entre eles, reforçando as "boas maneiras" no ambiente virtual, corrigindo delicadamente uma colocação que não esteja correta, ou mesmo pedindo para que eles revejam aquela informação, solicitando que os alunos escrevam com suas palavras aquilo que eles pesquisaram em livros ou sites, zelando para que eles não desviem o assunto, respondendo dúvidas que possam surgir...

Já em relação aos portfólios, minha opinião é que devemos ser criteriosos ao avaliar, explicando para os alunos os conceitos de "autoria" e "plágio". Essas questões devem ser abordadas desde o primeiro contato com eles, mostrando a importância da pesquisa fundamentada em referências bibliográficas aliada às ideias e reflexões deles acerca de um texto ou de um outro tema qualquer.

Essencial para a prática da tutoria, a meu ver, é dar, sempre que possível, um retorno aos alunos, no que diz respeito não apenas às duvidas e questionamentos deles, mas também ao seu desempenho, como notas e cometários sobre avaliações. Isso confere credibilidade ao seu trabalho, tanto com os alunos como com os coordenadores. Aliás, o diálogo com estes também é fundamental para o exercício da tutoria.

No mais, as ações dos tutores não diferem muito das ações dos professores que estão em sala de aula presencial: nós temos que ministrar aulas, aplicar provas, corrigir exercícios e avaliações, estimular e mediar discussões, propor reflexões e críticas aos alunos, incentivar o diálogo, motivar aqueles alunos que por quaisquer motivos não estão participando como deveriam, além de, muitas vezes "ouvir" queixas, consolar aqueles que estão passando por algum problema ou dificuldade, aplaudir boas atitudes/ interações, chamar atenção (com jeitinho) daqueles que não estão contribuindo muito. Muitas vezes, somos o anjo da guarda dos nossos alunos, lembrando das atividades, tirando uma dúvida, não deixando que eles se percam ao longo do difícil caminho da educação à distância...

Enfim, é muito bonito e altruísta.

E eu me orgulho de fazer tudo isso. Ou, pelo menos, eu tento!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Didática em Língua Portuguesa


Nós passamos um fim de semana inteiro juntos numa sala de aula!!! Esses guerreiros agora se preparam para mais uma batalha: dar aulas nas escolas estaduais!

Literatura Portuguesa IV


Mesmos alunos, outra turma...


Essa foi a turma de Literatura Portuguesa III

A primeira turma

Minha primeira experiência como tutora foi algo inesquecível. Primeiro, por que eu não tinha a menor ideia do que era ser tutora. Não fui preparada para isso. O coordenador assistiu a uma aula minha, e, ao término, perguntou: você quer ser tutora? E eu disse sim.
Aos poucos, fui fazendo, meio que por intuição, a minha prática docente. Tentei fazer mais ou menos como numa sala de aula presencial, mas desta vez, lidando com adultos.
O primeiro contato com os alunos me mostrou mais ou menos que desafios eu teria pela frente: a falta de tempo, de recursos, a internet que não ajudava. Eu queria fazer tudo bem certinho e acabava exigindo um pouco dos meus alunos.
O melhor de tudo, na minha opinião, foi o calor humano. Nunca pensei que em um curso à distância houvesse tanta proximidade. Nos encontros presenciais, que eles valorizavam muito, era sempre tratada com muito carinho e respeito, e os alunos queriam uma aula convencional; nas provas, eles não abriam mão da pesquisa, a contragosto meu.
Ao longo da disciplina fui pegando o jeito e imprimindo a minha marca: tratando todos com carinho e mostrando que eu estava sempre por perto para o que eles precisassem.
Depois da primeira turma, finalmente fiz o curso de formação de tutores, que recomendo para todos aqueles que desejam atuar na área, pois ele me mostrou que minha intuição estava certa e que eu acertava, mesmo sem saber, em muito do que eu fazia. O curso também me norteou em direção ao chat, e até mesmo em como preparar material didático para as aulas do SOLAR. Foi tudo enriquecedor. E eu já me sentia muito mais segura para as próximas turmas que eu assumiria a seguir.